Fotografia de Binóculos
Binóculos e outros Óculos
Um binóculo é um instrumento de custo reduzido e que lhe dará uma satisfação de uso durante muitos anos. É útil conhecermos as suas características mais importantes na altura de decidir qual comprar. Existem à venda modelos muito parecidos com grande diferença de preço, por exemplo, um binóculo de 50 euros pode ter um aspecto exterior parecido com um de 1000 euros ou mais. A diferença estará na qualidade dos vidros, nos tratamentos anti-reflexo, robustez mecânica, etc. São de evitar preços extremos, tanto muito baratos porque inevitavelmente a qualidade será baixa, como muito caros porque aí a diferença de preço é mais alta que o respectivo ganho de qualidade relativamente a um modelo de custo médio.

O que significam os números?
Todos os binóculos são identificados com dois números como 8X30, 10X50 ou outros do género. O primeiro número indica o aumento e o segundo o diâmetro das objectivas (as lentes da frente). Um aumento de 8X significa que a imagem parece estar 8X mais perto quando observada pelo binóculo. A lua parece 12 vezes mais perto num binóculo 12X50, o seu diâmetro vê-se 12 vezes maior que a olho nú. Para um binóculo que se segura na mão recomenda-se aumentos de 7 a 10 vezes porque com maiores aumentos a imagem treme demasiado tornando-se necessário apoiar o binóculo em qualquer superfície estável ou adaptá-lo a um tripé.
Quanto ao diâmetro das lentes, que é dado pelo segundo número, o mais vulgar é estar compreendido entre 20 e 50 (em milímetros) sendo de considerar maiores diâmetros apenas se se tenciona usar o binóculo para astronomia porque maiores diâmetros implicam maior poder de captação de luz. No entanto, um binóculo com objectivas de 30, 40 ou 50 mm de diâmetro já permite ver muito mais estrelas que a olho nú e é um óptimo investimento para quem se interessa por astronomia, porque sempre será utilizado mesmo que mais tarde se invista num telescópio.
Certos binóculos têm números do género 8-20X50. Isto significa que o binóculo tem ZOOM, ou seja, aumento variável desde 8 até 20 vezes.

Prismas
Em cada um dos dois tubos de um binóculo, a luz entra pela objectiva e vai até à ocular passando por um sistema de prismas. Os dois sistemas mais habituais são os de prismas tipo "Porro" e os de "Roof", originando dois tipos de binóculos que diferem também no seu aspecto exterior. Os binóculos que usam prismas Roof têm os tubos rectos resultando num design mais compacto. Os binóculos com prismas Porro têm o vulgar aspecto do tubo estar dividido a meio.

Independentemente do preço, o tipo de Porro oferece mais opções de aumentos e diâmetros de objectivas. Estes são também geralmente mais cómodos de segurar na mão e de adaptar a um tripé. O tipo de vidro usado também é importante. Os mais baratos usam vidro BK7 (borosilicato) enquanto que com prismas de vidro BaK4 (crown de bário) resultam imagens mais brilhantes e com melhor definição no campo periférico. Os prismas de BaK4 são mais caros e por isso também os binóculos que os usam são mais caros.

Emergência pupilar e campo de visão
Estas duas características estão relacionadas com as oculares. O campo de visão é dado em graus ou pela largura do campo a uma determinada distância. Um binóculo com um campo de visão largo é mais confortável pois permite uma observação mais "panorâmica". A maiores aumentos correspondem menores campos de visão. Alguns binóculos com maior campo de visão têm a inscrição "wide field" ou "wide angle".
A emergência pupilar é a medida da distância à qual os olhos devem estar para observar todo o campo de visão. Uma emergência pupilar curta é incómoda e torna o uso do binóculo difícil para quem usa óculos. Lembre-se que se usar óculos e não tiver astigmatismo, o melhor é observar sem os óculos e usar o mecanismo de focagem do binóculo.

Pupila de saída
Se segurar um binóculo à distância dos braços pode observar um circulo brilhante centrado em cada ocular. A este circulo dá-se o nome de pupila de saída. Para que toda a luz que emerge das oculares seja aproveitada, o diâmetro da pupila de saída não deve ser superior ao diâmetro da pupila do olho do observador. . Durante o dia, um olho normal tem uma pupila com diâmetro de cerca de 3 mm, que se dilata à noite até um valor de 6-7 mm. Por isso, são de evitar pupilas de saída com diâmetro superior a 7 mm, até porque o diâmetro pupilar do olho diminui com a idade e aos 50 anos um pupila no escuro estará mais perto dos 5 mm.
Calcula-se o diâmetro da pupila de saída dividindo o diâmetro da objectiva pelo aumento (por exemplo, num 8X30, divide-se 30 por 8 e dá uma pupila de saída de 5 mm de diâmetro).

Anti-reflexos
Um aspecto influente na qualidade da imagem são os tratamentos anti-reflexo na superfície das lentes. Para permitir que a máxima quantidade de luz alcance o olho, com mínimo de reflexos, melhor contraste e detalhe, cobrem-se as lentes com uma ou mais camadas (quantas mais melhor) de material anti-reflexo, normalmente fluoreto de magnésio. Esta cobertura é uma película microscópica que se obtém depositando o material sobre as lentes numa câmara de vácuo. Comparada com uma lente normal, uma lente com tratamento anti-reflexo fica mais invisível e o pouco reflexo que ainda apresenta tem uma tonalidade azul, verde, vermelha ou outra. Geralmente os melhores anti-reflexos apresentam um tom residual levemente esverdeado. São habitualmente usadas as seguintes denominações:
Coated - Algumas lentes e prismas têm tratamento.
Fully Coated - Todas as superfícies vidro-ar têm tratamento.
Multi Coated - Uma ou mais superfícies de uma ou mais lentes foram tratadas com múltiplas camadas.
Fully Multi-Coated - Todas as superfícies vidro-ar foram tratadas com múltiplas camadas.

Nota: Alguns binóculos apresentam objectivas com coberturas vermelho forte rubi que por vezes são confundidos com binóculos de infravermelhos para visão nocturna mas obviamente não o são, antes pelo contrário, não são tão bons para usar à noite pois perdem alguma capacidade de transmissão de luz. Este tratamento visa diminuir a transmissão do azul para aumentar o contraste em situações de muita luz como na neve ou na praia.

Focagem
O mecanismo de focagem deve ser simples de actuar, sem esforço mas suficientemente rígido para que não se mova sem necessidade. O melhor é um mecanismo central que mova ambas as oculares ao mesmo tempo, suplementado por focagem independente numa das oculares para permitir compensar alguma diferença entre os dois olhos (anisometropia). Existem alguns modelos de foco fixo que são mais simples de usar pois são pré-focados de fábrica e não têm mecanismo de focagem, mas por isso mesmo, menos versáteis. Não confundir esta característica com auto-focus.

Adaptação a um tripé
Todos os binóculos com qualidade mínima devem permitir a adaptação a um tripé, excepto os compactos cuja filosofia de utilização é diferente. Como se vê na foto, normalmente existe na parte de frente do veio central uma tampa redonda que esconde uma rosca normalizada com a mesma dimensão das que existem no fundo das câmaras reflex. O acoplamento ao tripé faz-se com um adaptador ou pode mesmo ser possível fazê-lo directamente.

Conclusão
O binóculo deve ser comprado sobretudo de acordo com o uso que se lhe vai dar, o que influencia características como o diâmetro das objectivas, o aumento e outras. De um modo geral, devem ser evitados aumentos superiores a 10X porque a imagem tremerá ao usar-se o binóculo na mão.
Para uso geral, binóculo 8X30 ou 8X40 parece a melhor escolha. Estes também são bons para observar estrelas, mas se a idéia principal é essa pode também pensar-se num de 50 mm, com aumento entre 7X e 10X. Se o que se pretende é comodidade de transporte enquanto por exemplo se fazem passeios a pé ou viagens, são de considerar os compactos 8X25, 10X25 ou outros do género, que não incomodam nem fazem peso e estão lá quando necessitamos deles.
A focagem central e também de compensação numa das oculares são essenciais em qualquer binóculo digno desse nome. Excepto talvez nos modelos compactos, deve-se procurar adquirir um com possibilidade de adaptação a um tripé, ainda que se deixe para mais tarde a compra desses acessórios.
A qualidade dos anti-reflexos, o vidro e o tipo dos prismas, a precisão na produção dos componentes ópticos, o controlo de qualidade, são factores que influenciam o custo final e um bom instrumento em todos estes aspectos nunca pode ser o mais barato.



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