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"Passamos o limite
aonde chega O Sol, que para o Norte os carros guia, Onde jazem os povos a
quem nega O filho de Climene a cor do dia. Aqui gentes estranhas lava e
rega Do negro Sanagá a corrente fria, Onde o Cabo Arsinário o nome
perde, Chamando-se dos nossos Cabo Verde.
8
"Passadas tendo já
as Canárias ilhas, Que tiveram por nome Fortunadas, Entramos, navegando,
pelas filhas Do velho Hespério, Hespérides chamadas; Terras por onde novas
maravilhas Andaram vendo já nossas armadas. Ali tomamos porto com bom
vento, Por tomarmos da terra mantimento.
9
"Aquela ilha
apartamos, que tomou O nome do guerreiro Santiago, Santo que os Espanhóis
tanto ajudou A fazerem nos Mouros bravo estrago. Daqui, tanto que Bóreas
nos ventou, Tornamos a cortar o imenso lago Do salgado Oceano, e assim
deixamos A terra onde o refresco doce achamos.
Os Lusíadas, Canto V |
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